Cais de cruzeiros em Angra, na Praia, no ilhéu das cabras…

Esta ideia de que com os mesmos equipamentos vamos conseguir os mesmo resultados, não é mais do que uma mistificação que evidencia falta de criatividade ou vontade própria. Não será por termos um cais de cruzeiros digno de um faraó, ao melhor estilo megalomaníaco PDL, que nos vamos tornar a Barcelona do Atlântico.

Se São Miguel tem um maior número de escalas de navios de cruzeiro que a Terceira não é pela dimensão do seu cais, mas sim porque houve uma clara opção política que o determinou. Se fossemos seguir essa lógica – a de que o tamanho é que importa – a plataforma giratória do tráfego aéreo nos Açores não seria a oriente, mas nas Lajes onde a pista de aterragem tem melhores condições e onde estão assegurados os melhores meios tecnológicos. Se o maior número de embarques e desembarques de passageiros ou aterragens de aeronaves é maior num lado do que no outro nada tem que ver com geografia ou tecnologia, mas sim com opções de natureza política, tal como no caso dos cruzeiros.

Pode-se perguntar se a ilha Terceira precisa de um cais de cruzeiros. Ao que se pode responder que sim, talvez precise. Só que, a meu ver, já tem um e não tem sido por falta desses milhões de investimento que os navios não atracam no porto da Praia da Vitória. Portanto, não será um cais portas do mar made in Terceira a resolver os problemas atuais do turismo da Praia e da ilha. Mas, se a pergunta for: o porto da Praia precisa de um novo terminal de passageiros ou um reordenamento da área portuária? Aí sim, o caso muda de figura e, convenhamos, deverá ser esse o caminho.

O verão que agora terminou, em boa parte por culpa da pandemia, fez com que as pessoas tivessem tido a necessidade de procurar alternativas às viagens ao exterior e às festividades locais. O mar foi essa alternativa. A baía da Praia, o seu areal e as zonas balneares um pouco por toda a ilha encheram-se de gente que não se limitou a apanhar banhos-de-sol ou de mar. A baía esteve mais animada do que é habitual. As pessoas descobriram o mar como forma de se divertirem ou praticarem desporto. Os campos de férias dos ATL’s da cidade fizeram também do mar o centro da sua ação graças à sua própria iniciativa ou às parcerias encontradas com as empresas de animação turística locais cuja atividade também sofreu um decréscimo. O mar foi o escape e a descoberta deste verão. A isto também não terá sido alheia a transferência do grupo de surfistas do barracão do mira-mar para o novo espaço junto à prainha, em boa hora cedido pela câmara municipal. A prainha ganhou nova cor e os miúdos que habitualmente a frequentam passaram a olhar para todo aquele equipamento com alguma curiosidade e admiração. Aposte-se nos mais pequenos… é deles o futuro. Que se entre no inverno, também animando pelo mar.

Sou do tempo em que falar de mar e de atividades de lazer marítimas era o mesmo que falar da cidade da Horta, da semana do mar, do canal ou do Peter’s. Hoje, isso mudou. Agora, falar de mar é sinónimo de Cliff Diving no ilhéu da vila ou de surf na praia de Santa Bárbara na Ribeira Grande. Mais uma vez, não foram só as condições naturais que permitiram a realização destes eventos. Foi preciso mais do que isso.

Nós temos uma cidade com um extenso areal como não há nenhum outro nas restantes urbes açorianas. Temos excelentes condições para a prática desportiva e demais atividades de lazer aquático, algo que nos distingue de todos os outros. É a nossa mais valia. O que fazer com esta dádiva da natureza deveria ser, por isso, a discussão central. Ao invés, preferimos insistir em copiar os outros, ser iguais aos outros na esperança de virmos a ser como eles e a obter os mesmo resultados. Mas será isso que nós queremos? Nessa altura, quando formos iguais a eles, não teremos nem praias, nem baía “lagoa”, nem os sonhados navios que, esses, continuarão a atracar ao sabor dos ventos políticos.

O que nos valerá neste caso é que, à velocidade com que se concretizam os grandes investimentos públicos na Terceira, quando concretizados, vai dar tempo de alguém desistir da ideia ou da moda passar…

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