Está tudo nos livros.

Paulo Ribeiro

Nunca fui um grande frequentador de bibliotecas. Sempre me fez confusão a ideia de ter de ler um livro com um prazo previamente determinado. O prazer da leitura, como qualquer outro, não se coaduna com uma liberdade contrarrelógio onde a contagem do tempo em modo decrescente assume a primazia de um instante. Gosto de livros. Gosto de os ter e de olhar para eles. Sentir-lhes o cheiro, tocar-lhes e de ficar com as pontas dos dedos com aquela camada de bolor fino roubada às folhas lidas e por ler.

Sempre gostei mais de livrarias. De passar horas a deambular por entre os expositores, a apreciar as capas, a decifrar os títulos e a ler as sinopses da contracapa. Tentar adivinhar se o conteúdo corresponde à apresentação ou se os tópicos de crítica mais não são do que marketing ou simples elogios de amigos e conhecidos. Haverá de tudo. Há de tudo. Já levei muito barrete à custa disso, como também já fui surpreendido por textos em que, à partida, nada daria por eles.

É fascinante o mundo das páginas encadernadas. São fascinantes os mundos que escondem e revelam.

Durante o confinamento da primavera, aproveitámos cá em casa para fazer uma higienização das estantes. Tirar pó e bolores, entenda-se. Apercebi-me que os temas são mais que muitos e os géneros não têm qualquer relação entre si. Se a afirmação de que as nossas prateleiras revelam a nossa personalidade for verdadeira, então, este será o momento para repensar muita coisa.

Detetei, todavia, uma ausência de autores que diria ser imperdoável. São raros os açorianos presentes na minha biblioteca. E, dos que lá estão, contam-se pelos dedos de uma mão os que foram lidos ou lidos até ao fim, incluindo o “Mau Tempo no Canal” que já vai na segunda tentativa de leitura e que não há maneira de engrenar. Uma coisa tenho de admitir, se o livro não quer ser lido, eu respeito.

Daí para cá tenho procurado colmatar essa falha e me esforçado a adquirir mais obras de autores açorianos e a lê-las. No entanto, não sabia por onde começar. Também não queria comprar só porque sim, só porque são dos Açores. A minha intuição, fortemente influenciada pela divulgação feita pela Biblioteca de Angra e pelo Rui Melo (pintor), levou-me a começar pelo Álamo de Oliveira. São uns quantos comprados na livraria online Companhia das Ilhas. Tenho leitura para semanas. Resta agora saber o que virá a seguir. Inclino-me para a Natália Correia. Não que seja um apreciador de poesia, mas acho “graça” à senhora.

O espaço para arrumar livros cá em casa já vai sendo escasso. Existem pilhas deles um pouco espalhadas por todo o lado, isto sem contar com todos os que ainda ficaram em casa dos meus pais e que, qualquer dia, juntamente com toda a roupa que também por lá ficou, me serão deixados aqui à porta. Decidi, por isso, mandar fazer uma estante nova, em jeito de biblioteca. Em bom rigor, ainda só tive a ideia, falta agora materializá-la.

Sempre me fascinou o sonho de ter a minha própria biblioteca. Com os meus livros. Apesar da dificuldade que é adquiri-los cá na terra, o online veio dar-me uma grande ajuda. Gostaria que fosse diferente. Infelizmente, não é assim.

Álamo Oliveira, Natália Correia… quem virá a seguir?

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