Sr. Presidente, olhe pela minha cidade!

Não se esqueça do meu concelho. Das suas freguesias. Da sua vila. Da sua cidade. Da baía que a abraça, da praia que lhe deu o nome. Não se esqueça do seu porto oceânico e de todo o seu potencial. Não se esqueça do aeroporto, da sua dinamização, da geografia que o definiu e de toda a ilha que dele se serve. Não se esqueça de preservar as nossas tradições, a nossa identidade e de respeitar a nossa forma de estar, de viver e de preferirmos “ser livres do que em paz sujeitos”. Do nosso património e do nosso legado histórico, longínquo e recente. Não se esqueça da nossa capacidade de criar, de inovar, de sermos diferentes. Lembre-se dos nossos escritores, artistas, produtores de arte, daqueles que criam o presente. Não se esqueça que também somos Açores.

Precisamos de condições para fixar gente no nosso concelho. De dinamizar a cidade. De torná-la um polo agregador e de desenvolvimento. Como hoje se diz, um hub. Bem sei que muito desse trabalho não será competência do Governo Regional. Mas também sei que, com a sua experiência de autarca, o senhor sabe a importância que uma decisão governativa tem no desenvolvimento local. Não é um acidente do destino alguns concelhos desenvolverem-se mais que outros. Não é uma obra do acaso certos investimentos serem feitos num local em detrimento de outro.

O concelho da Praia da Vitória é gerido há quinze anos por uma câmara composta maioritariamente por vereadores eleitos pelo Partido Socialista e por ele presidida. Contudo, pese embora o facto de os habitantes deste concelho terem preferido aquele partido, todos eles, todos nós os que aqui vivemos, somos cidadãos desta terra, açorianos de coração sem siglas ou símbolos.

Ser diferente não é fazer igual. É respeitar todos. A vontade de cada um. Ser-se humilde na vitória tanto ou mais que na derrota. Não praticar agora o que antes se condenava.

Os desafios são imensos e grande parte deles talvez nem os consigamos antecipar. Muito há a fazer e muitas serão as decisões a tomar. Este é o momento de repensar a forma de se exercer o poder. Não fazer só porque sim. Não mudar o que corre bem só porque não foi feito por nós. Nem tudo está mal. Nem todos são maus. Este não é o tempo da vingança nem do ajuste de contas. É, isso sim, um tempo de reconciliação, de construção do futuro, devolvendo aos açorianos a confiança na Autonomia e nas suas instituições.

A minha cidade precisa de si, do seu apoio. Ajude-nos a transformá-la. A materializar as suas potencialidades. A projetá-la para o exterior valorizando-a no plano regional. A Praia deverá ser mais que um projeto ou um conjunto de ideias. Mais do que uma utopia, mais do que um sonho adiado.

Não se esqueça de nós.

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