Um derradeiro prazer.

O homem queria uma estátua na Praia. Para nosso bem, não constitui caso único. Muitas têm sido as solicitações. Muitos têm sido aqueles que implícita ou explicitamente têm exigido aos dedicados súbditos tão ambicionado reconhecimento pela dedicação à cidade e contributo para o seu crescimento e desenvolvimento. Aliás, hercúleo trabalho está à vista de todos. Amplamente divulgado – e comprovado – pela abundante e variada inscrição dos seus sonantes e nobres nomes em placas de inauguração disseminadas por todo o concelho, se alguém tem dúvidas é exclusivamente pura má vontade.

A evidência, no entanto, é que, face à procura, não existem mais espaços disponíveis para a instalação de obras escultóricas com referência às ditas personalidades sem que outras sejam destronadas e os poucos que restam, mais cedo ou mais tarde, agora ou depois, à primeira oportunidade, estarão ocupados por taipais, barracas ou por sucata de festividades passadas já sem espaço de arrumação no armazém da comuna.

Não nos faltam heróis, super-heróis, nem sequer os poetas anacrónicos entrevistados nas manhãs da rádio pública. Quem não se lembra das loas ao homem de ar angelical em bailinho de carnaval que, com a sua capa esvoaçante, tinha poderes para salvar Angra, a Terceira ou até mesmo a Praia? Esse individuo ganhou força, inchou e os caracóis do cabelo ganharam tons acinzentados. Dono do mundo à semelhança daquelas caricaturas em que, olhando-se ao espelho, um gato se vê leão.

Agora, num derradeiro ato de afirmação do seu supremo poder, o minúsculo ser recorre ao mais solitário dos prazeres. Vem-se e, sem glória, vai-se…

Infelizmente, esta deplorável atitude não surpreende. Para quem acompanhou a sua atividade enquanto governante ou assistiu a debates no Parlamento por ele protagonizados, esta forma de estar e de agir não constitui qualquer surpresa. A sua postura, de tão repetida e previsível, já se tornara a norma embora fosse tudo menos o que de normal se exige a um membro do Governo.

Só de pensar que ainda há poucos dias, nas redes sociais, se rasgavam vestes de indignação com as atitudes pouco democráticas de Donald Trump ao recusar transferir o poder… Pergunto-me: onde andam os antitudo?

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