Confronto de populismos.

Confrontado com as suas contradições e generalizações vãs e forçadas, o populista sucumbe. E não são necessários discursos muito elaborados ou de erudição política. Antes pelo contrário, é na simplicidade das frases que ele se desmancha. O populista não tem medo de dizer o que quer e bem entende. Ele sabe que a preocupação dos políticos de carreira é não perder votos e que, para eles, a melhor forma de o fazer é serem politicamente corretos por forma a não desiludirem este ou aquele eleitor, esta ou aquela fação da sociedade ou do partido do qual dependem. Agradar a tudo e a todos, sem que nem uns nem outros percebam bem ao que vêm. Em suma, não perder votos.

Esta primeira semana de debates entre candidatos às eleições presidenciais do final deste mês tem sido disso um bom exemplo. Quando, com perguntas simples e diretas, os populistas em contenda são questionados sobre os seus chavões, as suas frases feitas e os vêm desmontados, as suas respostas e reações são bem reveladoras do que ali vai. É claro que a reação amedronta e intimida. Os gritos, o insulto, a vitimização e o vociferar estridente são armas bem conhecidas deste espécime animal. O segredo, por isso, está na réplica. Não ter medo. Não entrar no jogo em que ele é profissional. Disso se alimenta o populista. Ele sabe que um soundbite chocante dá audiência, abre telejornais e é fonte inesgotável de debates e mesas redondas. “Falem mal de mim, mas falem!”

Não se combate populismo com populismo. Muito menos amador. Se o profissional consegue dar um ar credível e verdadeiro à coisa, o amador torna-a ridícula e percebe-se logo que é engodo ou eleitoralismo. Por isso, aos estagiários e candidatos a tão desprezível, mas para muitos, tão apetecível estatuto, pede-se que repensem a estratégia e ambição, optando pela coerência, seriedade e conteúdo, se conseguirem.

Já todos percebemos que acabar com este modo de fazer política não é tarefa fácil. Dá trabalho. Dá chatice. Dá até má imprensa ou ausência dela. Por esta razão, o melhor será sermos nós a não lhes dar palco, a não os copiar, a não lhes darmos trunfos, a não deixarmos espaço por preencher.

Uma nota final: sempre que preencho um formulário ou apresento uma candidatura ao que quer que seja, principalmente a entidades do Estado, tenho que declarar pela minha honra que toda a informação prestada é verdadeira. Caso se venha a descobrir que estou a mentir, sou acusado de prestar declarações falsas e, automaticamente, a minha candidatura é excluída. Mas, se estivermos a falar no âmbito do exercício da minha atividade profissional, sou ameaçado de queixa à Ordem e de me retirarem a licença de atividade. Mas isso é a mim…

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão /  Alterar )

Google photo

Está a comentar usando a sua conta Google Terminar Sessão /  Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão /  Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão /  Alterar )

Connecting to %s