E os ciganos?

Conheço quem tenha votado Tino de Rans. Conheço também quem tenha votado André Ventura. Ainda quem tenha optado por desenhar a cruz no quadrado em frente às fotografias de Marisa Matias e, claro, de Marcelo Rebelo de Sousa. Que tenha assumido, ninguém me manifestou a intenção de votar ou ter votado em Ana Gomes ou João Ferreira.

Das opções por Marisa ou Marcelo, conhecendo eu as pessoas com quem falava, não manifestei qualquer tipo de perplexidade. Encaixam-se perfeitamente nos perfis dos dois candidatos. Contudo, no que toca a Ventura e Vitorino, expus a minha estranheza e, quase quase, dei por mim a julgá-los. Atempadamente desisti do julgamento sumário e procurei compreender as suas razões. Como é que alguém no seu perfeito juízo vota no ex-autarca de Penafiel? Como é que posso ser amigo de xenófobos e racistas?

Quem votou no homem de Rans, justificou-se dizendo que pretendia mostrar indignação por tudo quanto estava a acontecer no país. O chamado “voto de protesto”. Ainda ponderou votar em Ventura, mas não queria ficar com o peso na consciência no caso de vir a ser eleito ou passar a uma segunda volta.

Para quem votou em Ventura a explicação não é muito diferente. É preciso mexer com isto! Alguém tem de mostrar aos políticos que precisam fazer alguma coisa diferente. Isto assim não vai a lado nenhum. Confrontei-o com a questão do racismo e da xenofobia. Indignou-se comigo. Achas mesmo que sou racista? Eu acho que não, mas a votar nesse gajo… Podias protestar votando na Marisa, por exemplo. Sou contra a eutanásia.

Cada um terá as suas razões para votar neste ou naquele candidato. Neste ou naquele partido. Para o próprio serão as mais válidas, nem que seja por mero protesto. De nada adianta apontar o dedo a quem vota. Na esmagadora maioria dos casos, ninguém sabe ao detalhe os programas eleitorais ou os manifestos partidários e, quando é do seu conhecimento, é natural que não concordem com todos os postulados, com todas as lideranças, com todas as formas de estar. Ainda assim, confiam-lhes o seu voto. Cada qual saberá de si. Quem sou eu para os julgar?

O que é estranho, no entanto, é assistir-se na noite eleitoral à corrida desenfreada que é ver as lideranças partidárias colarem-se ao vencedor reclamando vitória. Mas, ninguém, ninguém mesmo se preocupou em perguntar por que razão aquele extremo específico tem crescido. Por que razão, o eleitorado tem protestado tanto. Por que razão o Povo está revoltado.

No meu concelho a extrema direita ficou em segundo lugar. Que razões existirão para isso? É difícil perceber. Nem sequer temos cá ciganos…

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