Rainha das festas 2021.

Embora o nome de Roberto Monteiro esteja a ser o centro da discussão sobre as eleições autárquicas do outono deste ano, a verdade é que o foco coletivo deveria estar centrado no futuro do concelho e da cidade, não devendo a discussão necessária e urgente ficar dependente de quem será o candidato a ser apresentado pelo Partido Socialista.

Que cidade queremos ter daqui por vinte ou trinta anos? Que concelho? Como serão a nossa vila e freguesias? Que apostas? Que projeto? Que relação entre todas estas realidades?

Comecemos então por uma questão que cada candidato a autarca, seja em que posição estiver ou a que cargo concorrer, deverá saber dar resposta: que papel deverá ter a Câmara Municipal no seu relacionamento com as Juntas de Freguesia? Continuas a ser só uma Junta de Freguesia maior do que as demais? Concorrendo com elas, competindo em permanência por protagonismo e popularidade? Ou, em vez disso, ser sua parceira, ser uma verdadeira Câmara Municipal, colaborando, desenvolvendo projetos em comum, independentemente de quem vai fazer as inaugurações ou inscrever o seu nome na placa?

O cargo de Presidente de Câmara, ou de outra coisa qualquer, não pode esgotar-se na vaidade pessoal de um indivíduo. Não é que a ambição e um pouco de prezamento sejam condenáveis na personalidade de um candidato. Antes pelo contrário. Essas características não podem é limitar-se ao ter-se o cargo, mas sim, ao seu exercício. Um Presidente de Câmara não é uma rainha das festas cuja função se reduz a acenar, a aparecer e a alimentar o sítio online da comissão de festas ou equiparado.

A Praia precisa urgentemente de ter um verdadeiro Presidente de Câmara. Alguém que dignifique o cargo e a cidade. Alguém de quem os praienses, do Porto Martins, da Fonte do Bastardo aos Biscoitos, tenham orgulho e respeitem sem que seja por medo de retaliações.

Alguém com coragem para fazer o que deva ser feito, afrontando quem tenha de ser afrontado, e que não mude de opinião ou posição em função do interlocutor. Alguém que não tenha medo de fazer perguntas e, mais importante, que não seja amedrontado nas respostas. Que não governe em função do número de “likes” nas redes sociais, mas em função do que melhor servir os interesses da cidade no futuro, agrade ou não aos apoiantes de ocasião.

À próxima presidente da Câmara Municipal da Praia da Vitória pede-se, também, que saiba dizer que papel terá à cidade no contexto de todo o concelho. O que pretende dela? Quer que seja o polo cultural do concelho? O centro do comércio? O ponto agregador dos serviços? O local onde se localizam as escolas, o centro de saúde, as finanças, os bombeiros e o tribunal? O polo criador de emprego por excelência? A “montra” e “sala de visitas” de todo o concelho? Sei que não é um debate fácil e muito menos será consensual a solução preconizada. Obriga a que a candidata assuma posições politicamente incorretas. Fraturantes, até. De todo o modo, é preferível alguém com opiniões, mesmo que não sejam do agrado de todos, do que a apatia instalada que se espelha no marasmo à vista.

Algo vai ter de mudar nos próximos quatro anos para que nos esqueçamos rapidamente deste confinamento começado em 2017. E não. A culpa não é da pandemia. Seria uma boa desculpa…

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