Praia confinada.

Confinou em março do ano passado e não mais se ouviu falar no assunto. Soube-se, entretanto, que a entidade gestora será extinta, mas o destino dos seus projetos continua por definir, pelo menos aos olhos do comum mortal. Ao que alguns senhorios me informaram, as rendas nunca deixaram de ser pagas e, aos poucos, muito lentamente, os programadores vão ocupando o seu lugar em frente ao teclado e ao monitor.

O projeto Terceira Tech Island foi anunciado e implementado pelo anterior governo como sendo estrutural para o desenvolvimento da Praia da Vitória. Embora sem um reflexo demasiado evidente na vida da cidade, a verdade é que foi responsável pela criação de muito emprego, maioritariamente jovem, e pela ocupação e reabilitação de espaços comerciais devolutos do chamado centro histórico.

Sempre foi do conhecimento geral que esta presença na cidade seria temporária. Esse foi um aspeto que tardou, e tarda, em ser acautelado. Mais dia menos dia, mais ano menos ano, sabia-se que as empresas seriam transferidas para a urbanização americana junto à Base, abandonada na sequência da redução do efetivo militar, deixando vagos os espaços agora arrendados. Aliás, não é descabido aqui lembrar que os edifícios construídos pelo norte-americanos existentes em Santa Rita já estão a ser intervencionados para o fim anunciado e que muito dinheiro já ali correu.

Quanto à prevista saída destas empresas tecnológicas do centro urbano, aguardamos uma solução por parte da autarquia que, em ano eleitoral, se prevê seja anunciada e discutida. No entanto, aquilo que hoje aqui me traz não é tanto o abandono da cidade, mas, ainda mais urgente, o aparente fim definitivo deste projeto no concelho. Posso estar redondamente enganado – espero que sim – mas, a avaliar pela total ausência de notícias sobre esta matéria, corre-se o risco de, aos poucos, de mansinho, o projeto ir definhando, desaparecendo sem que ninguém dê por isso. Não é isso que queremos.

Este é um bom projeto. Diria mesmo, uma boa herança. Um daqueles projetos que, ao contrário do próprio conservadorismo da autarquia, projeta a cidade no futuro, com inovação, com juventude e numa área de vanguarda. Infelizmente, a chama está a perder gás. É urgente alimentá-la. É imperioso que o governo regional diga o que pretende fazer com o Terceira Tech Island.

Quero ter a convicção de que não o vai abandonar. Quero acreditar que, em vez disso, vai aprofundá-lo, tornando a Praia o centro do digital nos Açores. A ideia não era “reposicionar estrategicamente a ilha Terceira no todo regional”, devolvendo-lhe centralidade?

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