Eu sou o maior da minha rua.

Qual a utilidade de uma sondagem com um só nome? Qual a utilidade de uma sondagem em que não se incluem como potenciais adversários os nomes mais temidos? Eu diria que um custo destes não serve para nada. É dinheiro deitado ao lixo. Na cabeça de quem a promove, contudo, uma consulta de opinião como esta tem todo o interesse e cumpre o objetivo: “Eu consigo ganhar a todos! Eu sou muito bom! Eu… eu… eu…”. De certa forma, este é um expediente para se garantir o resultado pretendido e de legitimação própria. A isto chama-se manipulação. Bem ao estilo de partido único, com candidato único e adversários selecionados a rigor, consoante vá dando mais jeito.

Está apetitosa a Câmara Municipal praiense. Depois de tanto tempo que esteve a pão e água, quem haveria de dizer? As rixas sucedem-se, materializadas que são na frenética caça ao apoio. Todos buscam um líder que lhes dê o aval necessário. Não está fácil. Em vez disso, encontram homens que, eles próprios, andam no escuro na procura desenfreada por uma tábua de salvação, fugindo das forças ocultas que lhes sugam a energia e empurram para o abismo. É tudo uma questão de tempo.

Sempre assim foi. Sempre assim será.

Não podemos culpar a atual gestão camarária por tudo de mal que foi acontecendo na cidade e no concelho. Quando este elenco entrou em funções, já o declínio era visível e urgia reverter a situação. Esperava-se que a juventude da nova equipa, aliada à frescura então introduzida pela oposição, imprimisse uma dinâmica e irreverência que caracteriza a sua geração. Ou que, pelo menos, se espera caracterizar. Não podíamos estar mais enganados. Este elenco governativo autárquico demonstrou ser mais conservador que os seus antecessores, menos corajoso, e a irreverência não faz parte do seu vocabulário.

Na câmara praiense faz-se política como antigamente. Como no mau antigamente.

Não houve rutura na forma como se usam os recursos municipais. Mantém-se o caciquismo, o tráfico de influências, o amiguismo, as coisas mal explicadas. Continuam os procedimentos de sempre, alimentam-se as clientelas, não se correm riscos. Agora existem as redes sociais e governa-se por elas. Em função delas. Nada aprendendo com os erros dos outros nem com as inovações por elas veiculadas.

A oposição é um incómodo.

O momento presente é propenso ao surgimento de salvadores da pátria a serem incensados. Isto seria válido para quem, ao longo do tempo, tivesse provado ser capaz de fazer da Praia aquilo que nunca foi ou a quem, abusando da amnésia coletiva, consiga convencer os praienses de que até 2017 tudo corria bem no reino, sem vícios, sem dívidas, sem as ditas coisas mal explicadas, com uma cidade pujante, próxima da perfeição, à beira de ser declarada capital da engenharia financeira nacional. Uma coisa nunca antes vista. Os primeiros no país. Quem sabe, os primeiros no mundo.

E viva a propaganda e as frases sonantes! Caem que nem patinhos…

O problema é depois.

Pai e filho guerreiam pela liderança. O filho tem uma sondagem que diz ser o maior entre os candidatos. E quem, nessa consulta pública, disputava com ele a preferência dos praienses? Ninguém. Era proposta única, sem adversário. Eu sou o maior da minha rua.

Um pensamento sobre “Eu sou o maior da minha rua.

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