A ilha do Vice.

Com as pernas a tremer terá ficado a administração americana depois de tomar conhecimento do ultimato lançado pelo Vice-presidente do Governo Regional dos Açores. A partir do seu Palácio, geostrategicamente construído bem no coração do Atlântico Norte, o novo Capitão General da ilha de Jesus Cristo, a Terceira a contar do continente europeu, não hesitou: ou os americanos nos fornecem vacinas, ou vamos bater à porta da Rússia e da China. Temi que, pelo andar da carruagem, o douto ocupante do palácio das barras amarelas sugerisse, ainda, um contacto com a Coreia do Norte ou com a Venezuela. Já acredito em tudo. O homem está à solta, comandante que agora é de uma ilha, deixada à sua mercê, enquanto o “big boss”, em título, vai permanecendo sentado à lareira, recebendo as visitas, e empunhando cachecóis de clubes de futebol que a todo o custo vão querendo sejam de nós todos. Até já lhe chamam “os Bravos”!

Não sei se pelas declarações de AL (não confundir com aquelas placas que indicam Alojamento Local), o que é certo é que, prontamente, Joe Biden enviou para as Lajes três aviões bombardeiros B-2. Foi ver por estas bandas toda a gente, de telemóvel em punho, olhando para o ar, como se fossem angrenses a visitar a Praia, surpreendidos que estavam por verem aviões cruzando os céus da cidade. Pese embora a raridade, a verdade é que estes impressionam. Belas bestas! Parecem-se com morcegos gigantes.

Contudo, para os locais, a semana guardava-lhes surpresas maiores. De um dia para o outro, misteriosos cartazes azuis nasceram do nada, apelando ao regresso de D. Sebastião. Ninguém sabe quem os pagou. Ninguém sabe quem os colocou. Ninguém sabe quem mandou. Mas foi entusiasmo de pouca dura. Tão depressa veio, como rapidamente se foi. Nada como um balde de água fria para acalmar os calores de desejos indecorosos. O homem não quer voltar. Até parece que nunca houvera pensado nisso. Até parece que nem andou à procura de apoios. Mas, adiante. Para a frente é que é caminho (ups!) e agora o caminho está livre para quem não queria com ele disputar a eleição.

Com a ilha entregue ao Vice-presidente, de nada serviu a eleição de quatro deputados por parte do PSD. Vá lá, contribuiu para alcançar uma maioria parlamentar. Só que a eleição de um único deputado por parte do CDS, na Terceira, acabou por valer mais. Da parte dos primeiros, não se conhecem reivindicações, mesmo daqueles assuntos que nos entram pelos olhos dentro. Por essa razão, muito daquilo que contribuiria para devolver à Terceira a sua centralidade, como prometido, acaba sem respostas pela total ausência de perguntas. Um deputado não pode ser só uma caixa de ressonância do Governo. Antes pelo contrário, o povo elegeu deputados, não elegeu o Governo.

Resta-me, por isso, perguntar ao senhor Vice-presidente que destino será o da sua ilha.

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