Era uma vez um grupo de fãs.

Contrariamente àquilo que era assistir às conferências de imprensa diárias a divulgar números e medidas, tem sido um suplício a leitura dos artigos de opinião da única pessoa que, nos alvores desta pandemia causada pelo novo corona vírus, dava a cara por ela, garantindo a credibilidade da mensagem, que a tinha. Ao mesmo tempo em que na sua escrita sobeja o ódio, a vingança, o ajuste de contas ou o ressabiamento, é notória a escassez de um discurso de consenso ou de vontade de estar do lado da solução, particularmente evidente quando, à partida, se esperaria outra atitude ou não fosse o visado um conhecedor da máquina e das suas falhas.

Esta forma de estar em nada favorece a imagem do próprio ou da sua bancada. Antes pelo contrário. Para quem, como eu, assiste de fora ao triste espetáculo, dá a ideia de que a máquina que o deveria suportar (o partido, entenda-se), em vez disso, usa-o e desgasta-o na esperança última de o homem perder a credibilidade que lhe resta, deixar de ter condições anímicas para permanecer no cargo e, no limite, que vertiginosamente se aproxima, apresentar a sua renúncia de mandato e abandonar o parlamento possibilitando, dessa forma, a entrada do nome seguinte na lista, um novo deputado. Com um bocado de sorte pode ser que ainda chegue à Ribeirinha. A falta que deste último se tem feito sentir é por demais evidente e as eleições autárquicas estão aí à porta.

É incompreensível o tom de ataque aos atuais responsáveis da saúde. Muitas vezes, com a forma como reagem às críticas, até se põem a jeito, é verdade, mas, ainda assim, não se entende o nível de linguagem ou o grau de exigência de execução quando plano e orçamento nem sequer ainda estão aprovados e o governo só estar em efetividade de funções há meia dúzia de dias. É certo que o dito individuo conhecerá os corredores à casa como poucos. Precisamente, por isso, saberá que não é possível acudir e apagar todos os fogos em quatro ou cinco meses. Claro que, segundo o próprio, não haverá assim tanto incêndio ativo como o novo secretário da saúde tem afirmado. Se há, ou não, não sei. O que sei é que muitas das classes profissionais do setor se queixam, os fornecedores dizem que não lhes pagam o que lhes é devido e os utentes verbalizam os queixumes de quem espera desesperadamente por uma consulta ou por uma cirurgia. Talvez sejam só as más-línguas do costume ou a incapacidade de se ver e reconhecer o meritório trabalho em benefício de nós todos.

Como era bom o nosso governo. Dai-lhes bolos… mas não foi o suficiente. Até a Maria Antonieta perdeu a cabeça, mesmo fechada no seu dourado refúgio de Versailles. O sucesso da saúde quase que foi tão grande como o do combate à pobreza. Talvez mesmo superior. Pena é que só aqueles a quem as políticas se dirigiam não tenham dado por isso. Desta forma, de pouco adianta dizer agora que se fizeram maravilhas, que se criaram planos e programas para combater todas as desgraças à face das ilhas quando a realidade tudo contradiz.

A proposta de plano e orçamento regionais para este ano de 2021 foi apresentada e está em discussão no parlamento. De entre as diversas propostas sectoriais, por via da atual situação sanitária, as questões relacionadas com a saúde e a pandemia destacam-se e são alvo de maior escrutínio. Como é usual dizer-se, o papel aceita tudo. E isso é válido para tentar reescrever o passado como o é para o antecipar o futuro. Este será, por esse motivo, o momento de propor e ajudar a encontrar as melhores soluções, mesmo que o governo as não acolha. Só dessa forma, daqui por um ano, teremos a legitimidade para apontar os erros, as falhas e dizer se o governo é ou não competente. Está, ou não, à altura de tamanho desafio.

Condenar um governo ainda antes de fazer o que quer que seja não me parece sério. Não me parece ser coisa de gente crescida que, espera-se, está na política para defender o interesse coletivo em vez dos seus interesses individuais ou de classe.

A todos, votos de uma Santa Páscoa!

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