Levam-nos tudo.

Raramente nos dão alguma coisa. À Praia, quero eu dizer. E, quando dão, ou é porque não interessa a mais ninguém, ou então vem com defeito, como aconteceu com o terminal de cargas do aeroporto que, de tanto esperar, acabou por passar do prazo, estragando-se no vai e vem das indecisões, das descidas e subidas de prioridades e ao sabor das ondas e dos interesses de ordenamento político e eleitoralistas do momento. É como o cais de cruzeiros que nem…, nem sai de cima…

Como poucas vezes aconteceu, um projeto está a dar certo. Com ajustes a serem feitos, é verdade, mas funciona. Até dá emprego. Bem sei que não terá o peso político e de impacte futuro que o apoio a uma qualquer instituição recreativa ou a um clube de futebol possa vir a ter, mas, mesmo assim, sem que a maioria das pessoas se tenha dado conta, trouxe gente para a Praia, com bons salários, a pagarem boas rendas e até a comprarem casa. Coisa pouca, portanto. Tivesse a câmara o engenho e a arte de o ter aproveitado melhor. Um daqueles projetos a descartar, dirão os peritos da glória passada.

Não fossem estas provas evidentes da sua importância, bastaria perceber que é do interesse de muitos que ele morra. Sem outra razão que um banal “porque sim”. E que morra por si. Arriscaria eu dizer, para que possa ser transplantado para outras longitudes. A história tem-nos ensinado essa triste sina: se é bom, vai para outras bandas, sempre que possível, ou, em alternativa, deixa-se de lhe dar gás para que rapidamente seja ultrapassado e, assim, justificar-se a sua ineficácia. Não seria a primeira vez.

É preciso, por isso, uma posição clara e inequívoca por parte das autoridades regionais e dos eleitos por esta ilha. Todos os eleitos, de todos os quadrantes. Todas as autoridades, independentemente dos riscos na recondução ou manutenção nos cargos. Não basta dizer que se apoiará quando for preciso. Não basta dizer que, a seu tempo, o assunto será tratado. É preciso mais. É preciso muito mais. É preciso assumir que este é um projeto de interesse regional. Uma aposta do governo para a Praia da Vitória. Para a Terceira. Logo, para os Açores. Um projeto em que o governo está determinado que continue a dar resultados, liderando-o. Assumindo-o como seu. Continuando a geri-lo. Exige-se determinação.

É usual ouvirmos os terceirenses dizerem que nos levam tudo. A fábrica do álcool, do tabaco, os serviços todos, o aeroporto internacional e que só não nos levam o Bispo porque a Sé está bem agarrada ao chão. Mas também não é menos frequente todos se calarem, ninguém dizer nada até àquele instante em que o facto está consumado e já não há volta a dar.

O projeto Terceira Tech Island, instalado na Praia da Vitória, uma cidade que também é açoriana, é um projeto que ainda nos pertence. Está provado que funciona. Que dá emprego. E não é por ser uma iniciativa de um governo liderado por um outro partido político que não deve ser merecedor de continuidade e aprofundamento. Ainda vamos a tempo de parar com esta tentativa de o tornar esquecido. Não deixemos que nos levem mais este.

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão /  Alterar )

Google photo

Está a comentar usando a sua conta Google Terminar Sessão /  Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão /  Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão /  Alterar )

Connecting to %s