Esses cubanos.

Gargalhar não é seguramente a forma esperada de um responsável governamental, ou equiparado, reagir a um comentário que, por ignorância ou por não ser portador da mesma informação, se encontre desacertado do seu. Não deverá ser esse o caminho. Em presença de números ou declarações de que discorda, deverá o ofendido desmontar os argumentos, explicá-los e repor a verdade, se esse for o caso.

A gargalhada é tentadora e a troca de argumentos de natureza mais político-partidária também. No entanto, não é esse o tipo de discussão que se quer quando em causa está a gestão da pandemia ou o processo de vacinação. Espera-se mais. Outro tipo de elevação, outro tipo de abordagem. Deixe-se a campanha eleitoral para o seu tempo próprio. Ele virá.

E se a tentação pela captação de dividendos eleitorais é condenável num momento como o atual, pior é o que se diz e faz à laia de contra-gargalhada. Não estivéssemos nós a ver as feições do indivíduo, julgaríamos, pelo desprezível conteúdo, estar a ouvir um daqueles discursos de André Ventura, Marine LePen ou Santiago Abascal, tal era o tom de separatismo ou daquilo a que poderíamos chamar xenofobia, não fossem os envolvidos nados e criados neste país a que chamamos Portugal.

É um tipo de oratória que já não ouvíamos há muitos anos. Julgava-se ultrapassado, mas não. Reles. Pretendendo pôr portugueses açorianos contra portugueses do continente, açorianos de umas ilhas contra açorianos de outras. Coisas dos tempos da FLA que não queremos volte e do centralismo pacóvio bafiento que só julgávamos existir a partir do Terreiro do Paço, mas que a oriente perdura e se cultiva.

A desfaçatez é tal que chega ao ponto de se afirmarem coisas como: “há ilhas com médicos a mais”, referindo-se à Terceira. Roça o insulto a todos os açorianos que ao longo dos anos têm visto as suas ilhas perderem serviços, força, investimento e população. A este propósito é espantosa a argumentação para que a ilha-continente seja alvo de atenção prioritária. Diz o doutro que a demografia fala por si. “Temos mais gente, temos que ter mais.”  Da minha parte só deixo um alerta: não se esqueçam deste argumento quando forem bater à porta de Lisboa ou Bruxelas. Sujeitam-se a que todas as torneiras se fechem. Bem vistas as coisas, para que se hão de preocupar com os Açores se, ao fim e ao cabo, somos só uns míseros 250 000?

Há gente que vive num outro mundo, que tem vivido numa outra dimensão, numa gaiola dourada onde o poder cega e atormenta o cérebro. Tudo bem ao jeito das tão propaladas verdades alternativas tão criticadas e amplamente condenadas de Donald Trump.

Infelizmente, o senhor que aí há atrasado ficou conhecido por não gostar de gravadores, não está sozinho nesta espécie de alienação. A doença chegou também ao parlamento açoriano.

Na mesma semana, na Horta, Pedro Pinto, deputado do CDS eleito pela Terceira, questionava o governo sobre projetos para a ilha e cuja concretização se tem vindo a arrastar ao longo dos últimos anos sem vejam a luz do dia. Intrigado, Nuno Barata, o liberal parlamentar, sem se justificar, acusou o orador de falta de legitimidade para defender os interesses da Terceira. Não se percebeu ao certo a que tipo de legitimidade se referia. Que se saiba, tem a do voto, a que interessa para o caso. Mas, se lhe falta mais alguma, não consigo descortinar. Será por não ter nascido nos Açores? Se assim for, muito mal vai esta Autonomia… e entre André Ventura e estes senhores que venha o diabo e escolha.

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