Centro interpretativo de uma pré-campanha.

Por muito insignificantes que possam ser, este é o período para se inaugurar tudo e anunciar o resto. Estamos em campanha eleitoral e isso é notório. Qualquer coisa serve. Tira-se uma fotografia a plantar uma árvore – não um jardim ou uma floresta – e abaixo legenda-se a grande preocupação e investimento no ambiente. Instala-se um brinquedo e a autarquia tem feito um grande esforço no apoio à infância e às famílias. Limpa-se um palheiro, prendem-se na parede meia dúzia de cartazes com texto e fotografias a preto e branco e chama-se a isso centro interpretativo. Anda-se em maio a passear com areia de um lado para o outro e esta aposta nas nossas zonas balneares fazem de nós os melhores dos Açores, quiçá do mundo ou da rua.

E crescer? E desenvolver? E criar riqueza? E construir cidade?

A cidade continua à espera da mudança do serviço de finanças para a Praça Francisco Ornelas da Câmara. Com tanto protocolo assinado, já era mais do que tempo de este se ter instalado no coração da Praia. Pelo caminho, sem que tenha saído do manifesto eleitoral de há quatro anos, ficou também o parque florestal da serra do Facho. Falta de tempo para o fazer? Para, pelo menos, passar ao papel enquanto projeto?

Havia também… como é que se chama mesmo? Cais de cruzeiros. Aquela coisa que Andreia Cardoso já se tinha esquecido ter sido anunciada aquando da sua candidatura à câmara de Angra em 2009 e que depois, afinal, seria uma ró-ró e que depois vinha para a Praia e que depois voltava a Angra e que a seguir já não era para ser nada o que, finalmente, se cumpriu e nada foi. Seria ainda requalificado o porto americano e criado o centro interpretativo dos conflitos bélicos na serra do cume. Este pode ser que ainda calhe… duas ou três fotografias na nova estrutura debaixo do miradouro ou coladas nas paredes e, voilá, sai mais um centro interpretativo!

Nota intermédia: estou a escrever este texto com o manifesto eleitoral de 2017 aberto noutra janela e, convenhamos, só me limito a alguns destaques…

Reabilitação do edifício da Praça, a chamada casa do Dr. Eugénio. Este é um daqueles que há anos vai de copy-paste em copy-paste. Parque empresarial das Lajes… Colaborar na candidatura do porto da Praia ao abastecimento de gás natural, à concessão comercial do porto. Implementação do novo Plano Diretor Municipal (esta até doeu!)

Nota intermédia a seguir: estou a dar de barato o que a pandemia possa ter condicionado. Claro que nada justifica a paralisação dos serviços e do trabalho da vereação. Supõe-se que se estaria em teletrabalho e que as capacidades decisórias e de planificação não foram de quarentena. Os mandatos não estiveram suspensos.

Daqui por diante, nos meses que sobejam, muito do que ficou por fazer voltará reconvertido e recauchutado se para tal o engenho permitir. A avaliar pelas apresentações públicas recentes, pouco importa o conteúdo, o culto da pessoa sobrevaloriza-se. “Eu”. Daria um belo slogan eleitoral. Curto. Pouco espaço ocupa. Pouca tinta gasta. Sustentável. Amigo do ambiente.

PS: aguarda-se um plano de expansão para a cidade. Mesmo que seja só mais uma coisa para ficar no papel, fica bem e é costume todos fazerem. Dá a ideia que se quer mudar alguma coisa e toda a gente se entretém a mandar palpite sobre o assunto.

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