Os pendentes.

Sejam militantes, sócios, irmãos, independentes, dependentes ou pendentes para cá e para lá, ao sabor das oportunas fidelidades do momento, renegadas ao primeiro embate ou frustração, o próximo domingo será deles. De todos. Dos por convicção, dos por conveniência. Dos que não precisam de nada disto, dos que dizem não precisar disto para nada, dos que têm de orientar a sua vidinha, dos que são obrigados a pagar faturas e favores antigos, quer estejam no prazo de validade ou já tenham prescrito. Alguém lhes relembrará ter havido compromisso antigo com créditos futuros.

Vidas e carreiras construídas sob e à custa de um símbolo e sigla partidários são agora branqueadas com o à-vontade de quem sabe como estas coisas se fazem. A montanha pariu um rato e os ensinamentos ditados pelo catecismo da escola do punho fechado voltaram-se contra si próprios numa mescla difícil de compreender.

A racionalidade da opção política está cada vez mais afastada daquilo que seria razoável e desejável. As emoções falam mais alto. Pelo menos é assim que pensam os candidatos e as forças em despique. Caso contrário, as campanhas eleitorais oficiais não se limitariam à distribuição de sorrisos, beijos e abraços ou a criarem um clima de festa numa tentativa de conseguirem o voto pela via da sedução dos afetos. Dir-me-ão que esta é uma forma de os candidatos se darem a conhecer, de estarem mais próximos das pessoas, de se criar empatia. Não posso estar mais em desacordo. Uma eleição não é a escolha entre um simpático e um antipático. Entre um aparentemente humilde e um tido como arrogante. Entre uma vítima do sistema e um a quem o sistema lhe tem dado tudo. Nada disso. Infelizmente, o nosso passado recente, a nossa atualidade, é disso a prova. As eleições não são, nem concurso de simpatia, nem votação via chamada de valor de acrescentado, discando um 760 qualquer, no valor de um euro mais IVA, e o candidato pode ser seu!

É preciso conteúdo. É preciso olharmos para os programas eleitorais, para as propostas das diferentes candidaturas, e perceber quais aquelas que melhor defendem os interesses do concelho. As que nos projetam para o futuro e as equipas com capacidade de as concretizar. Olhar para os manifestos e fazer perguntas. Examinar as propostas uma a uma e questionar os seus proponentes a razão de nunca as terem colocado em prática. Uma vez que o candidato não está ali à mão, disponível para conversar consigo, olhe para a fotografia e, como quem reza uma prece a um santinho, pergunte: “tu que andaste lá tanto tempo, pouco ou nada fizeste para que isto melhorasse, nunca te queixaste, agora és o salvador?”. Depois, fechem os olhos, interiorizem a pergunta e esperem pela resposta. Bem sentados, só se levantando para ir votar no domingo. Regressem a casa e voltem a esperar… é tudo uma questão de tempo…

Aceitei ser mandatário da Vânia Ferreira por acreditar que é urgente haver uma mudança no concelho e na cidade onde decidi viver. Em 2006, depois do PSD ter perdido a Câmara da Praia, assumi funções como presidente da concelhia do PSD. Ninguém queria. Convidei a Vânia para fazer parte da minha equipa e, numa época em que muitos abandonavam o barco ou tinham vergonha em assumir-se como social-democratas, a Vânia não teve medo e abraçou a causa. Sofreu as consequências pessoais e profissionais dessa decisão. Naquele tempo havia represálias para quem não fosse do partido do sistema. Foi difícil. Tem sido um caminho difícil. Nem sempre as coisas correram como queríamos. Ainda assim, nem a Vânia, nem tantos outros abandonaram aquilo em que acreditavam. Os interesses da sua terra estiveram sempre em primeiro lugar. A Praia esteve e estará sempre primeiro.

Ser militante de um partido político não é nem crime, nem uma forma de silenciamento. Sou militante do PSD há muitos anos e isso não me tem impedido de ser crítico, de apontar os erros no meu partido, dos seus líderes, das suas opções.

Mais importante que a independência partidária, é a independência de pensamento. Muito mais difícil, quando se é dependente ou se vai pendendo ao sabor da maré.

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