Nem sei porque estou a publicar isto.

Não gosto de fazer balanços, mas este é o tempo deles. Esforço-me por não pensar nisso, mas este é o tempo em que não há como fugir disso. Rapidamente percebemos ter ficado aquém daquilo que nos havíamos proposto, no mesmo dia, à mesma hora, pelo mesmo motivo, quando, sem querer, o balanço se impôs. Comigo é assim. Quantas realizações ficaram pelo caminho, quantos projetos falharam, quantas conquistas não conquistadas, quantas conquistas que mais não foram do que ilusões.

E depois existem as surpresas. Coisas que, como caídas do céu, sem prever, ambicionar ou preparar, aparecem-nos na vida sem pedir licença, tornando-se o cumprimento de sonhos antigos já esquecidos e abandonados, que o tempo erodiu, mas cumpriu, se valorizados tenham sido os mínimos. Chamaremos a estas realizações conquistas, mesmo nada termos feito por alcançá-las, pelo menos, agora? Ou serão recompensas? Prémios de consolação que não passam disso mesmo, de consolo, de resignação, de uma forma de nos autossatisfazer sem que tenhamos ficado satisfeitos?

Este é o tempo dos balanços. De olhar para trás e analisarmos, dia após dia, os momentos, as revelações, os êxitos, as omissões, as oportunidades, perdidas e encontradas. Teremos sabido aproveitá-las? Teremos sabido olhar para o copo meio cheio?

Tenho vacilado entre o otimismo e o pessimismo. Por vezes, olho o futuro com o entusiasmo de quem tem tudo para aprender e tudo conseguir realizar; outras vezes, encaro o que aí vem com receio e dificilmente perspetivo algo de positivo. Em suma, tornei-me um cético, sem que isso signifique ter-me tornado um negacionista.

Acredito que, hoje, ninguém estivesse à espera deste texto. Mas foi o que me apeteceu escrever. Para a semana, para o próximo ano, há de ser melhor. Voltarei ao registo habitual. Hoje apeteceu-me isto. Apeteceu-me falar de mim. Da pessoa que, semana após semana, nesta página do Diário Insular, partilha convosco preocupações, inquietações e vai dando a sua opinião sobre o que se vai passando à sua volta.

Hoje, não quis falar dos outros.

Boas entradas!

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