Hoje, não vou chatear a Vânia, mas…

Eu sei que andam todos meio aborrecidos comigo por andar a chamar a atenção para algumas coisas que andam a acontecer no concelho da Praia e com as quais discordo redondamente. Os meus amigos praienses sabem que não é pelo facto de a Câmara ter mudado de cor que deixo de ter opinião e de a emitir. É assim que entendo a democracia, o exercício de cidadania e é assim que entendo ser a forma de as sociedades se desenvolverem: criticando, discutindo e apontando soluções alternativas. Há uma mudança de mentalidades a fazer-se. Desconfiem de quem sempre esteja de acordo convosco.

Esta semana começou com boas notícias. Pelo menos, para o meu gosto pessoal. Dois assuntos merecem destaque. Duas iniciativas do Governo Regional que recentram a ação do executivo no verdadeiro conceito de social-democracia e que apontam caminhos para um horizonte que vai para além do imediato: a “agenda regional para a qualificação profissional” e o “programa operacional Açores 2030”.

Reflexão: isto hoje parece um daqueles artigos dos deputados que se limitam a transcrever os comunicados do governo…

As duas propostas cruzam-se no caminho. É impossível desenvolver um plano de crescimento económico e social sem que se pense a longo prazo e sem uma aposta clara na formação. Na formação, na educação, na cultura, no emprego, na saúde, na inclusão social ou no desenvolvimento urbano com respeito pelo ambiente, cientes da finitude dos recursos. Aquilo que agora se apresenta é uma visão do que poderá ser o futuro dos Açores.

O presente da região é conhecido. Os indicadores económicos e sociais são dos piores a nível nacional e, consequentemente, a nível europeu. Como referiu o presidente do governo na apresentação do programa operacional – numa clareza de discurso que lhe é pouco habitual, diga-se – os Açores ocupavam, em 2019, o 22.º lugar (em 25) da competitividade da economia, o PIB per capita representava 69,9% do PIB da União Europeia, a taxa de abandono escolar era de 27% (o triplo da média nacional), a esperança de vida à nascença é três anos inferior à média nacional… atrasados? Subdesenvolvidos? …mas ricos em sonhos… e isso é que importa, já dizia a Floribela.

Outra reflexão: aquela referência à falta de clareza habitual… epá! Se um gajo se inquieta a maior parte das vezes para entender o homem…

Indústrias agroalimentares, turismo, serviços, transição energética e digital são, sem quaisquer sombras de dúvida, os caminhos para a próxima década. Acrescente-se ainda a estes setores a economia azul, assunto que, aliás, ao longo dos anos, tem sido frequente no discurso de Duarte Freitas e que, segundo me recordo, já tinha pensamento consolidado na matéria. Estará ele a preparar-se para assumir também o mar? É “menino” para isso.

Mas não só Duarte Freitas tem pergaminhos nos temas que agora são tidos como inovadores e estratégicos. Ao nível da transição energética e na aposta em novas fontes de energia, também Clélio Meneses, já em 2005, aquando da sua candidatura à câmara da Praia, já defendia a utilização do hidrogénio como forma de autonomizar o concelho da dependência energética do exterior. Recordo-me bem o que se disse na altura, os comentários feitos e a ridicularização da proposta. Hoje, o hidrogénio é a solução. Passaram quase vinte anos.

Reflexão do tipo “não resisti”: já que se fala da câmara da Praia, uma proposta que nem deve ser muito cara: senhora presidente, e que tal tirar aqueles pinos do largo do Mira-Mar e junto ao estacionamento da RTP? Aquilo é mais uma daquelas coisas que não tem ponta por onde se lhe pegue.

Estes planos, bem sei, são uma manifestação de intenções, uma vontade de fazer. Têm o mérito de fazer o diagnóstico à atual realidade açoriana e de pensar os Açores para um futuro mais distante que a validade de uma publicação nas redes sociais.

Não há que ter medo nem vergonha de dizermos que somos pobres com índices de desenvolvimento muito aquém dos expectáveis numa região da União Europeia. Não é negando a realidade que os problemas se resolvem. É assumindo-a. É agindo. É fazer-se diferente daquilo já sabido não resultar.

Eu que tanto tenho criticado, dou a mão à palmatória. Não nos defraudem a confiança.

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão /  Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão /  Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão /  Alterar )

Connecting to %s