que centralidade se quer para a Praia?

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É cada vez maior o número daqueles que apontam a descentralização de alguns serviços públicos, nomeadamente a RIAC, a segurança social e os cuidados de saúde, como uma das causas para o crescente esvaziamento do centro urbano da Praia.

A verdade é que a cidade perdeu serviços. Parte da sua função enquanto de cidade e sede do concelho esvaneceu-se. Foi bom? Foi mau? É difícil dizer. O processo de transferência de serviços para as freguesias, aproximando-os das pessoas, é sem dúvida uma boa medida. Impede que as pessoas tenham que se deslocar alguns quilómetros, muitas vezes sem viatura própria, obrigando-as a despender tempo no transporte público disponível, ou pagar um táxi para se deslocarem à Praia. Tornou a vida das pessoas mais simples e mais fácil, principalmente a dos mais idosos e dependentes.

Infelizmente, tal política de descentralização não foi nem tem sido transversal a todos os setores da governação autárquica e regional, tendo-se optado por centralizar serviços que permitiriam a fixação de casais jovens, como as escolas do primeiro ciclo, ou até mesmo a construção de centros dia (não confundir com centros de convívio) ou lares de idosos sem critério definido e compreensível e se tenha optado por descentralizar o que, em termos de fixação de população, não tem relevância de maior.

Que papel tem então a cidade no contexto de todo o Município da Praia da Vitória?

É um debate que ainda está por fazer e que merecia ser feito. O que pretendemos da nossa cidade? Queremos que seja o polo cultural do concelho? O centro do comércio? O ponto agregador dos serviços? O local onde se localizam as escolas, o centro de saúde, as finanças, os bombeiros e o tribunal? O polo criador de emprego por excelência? A “montra” e “sala de visitas” de todo o concelho?

É fundamental que se encontrem respostas a estas e outras questões e que se definam os objetivos para a cidade, para a vila e para cada uma das restantes dez freguesias do concelho, sendo que Santa Cruz é muito mais do que os limites geográficos da cidade da Praia da Vitória.

Não é um debate fácil e muito menos será consensual a solução preconizada.

Das propostas que têm vindo a público por parte das candidaturas que se apresentam às eleições do próximo dia um de outubro, a questão da centralidade da cidade ou da descentralização do que quer que seja, é algo que tem passado um pouco à margem desta pré-campanha, isto se excluirmos a proposta do Partido Socialista que, ao anunciar a criação de museus e centros interpretativos em praticamente todas as freguesias, dá continuidade à política de descentralização e dispersão de serviços seguida por Roberto Monteiro. E para a cidade?

O que pensam os candidatos à presidência da Câmara Municipal relativamente à cidade e à sua relação com a vila e as dez freguesias do concelho?

Poderão dizer-me que aquilo que aqui escrevo é um não assunto. Para mim, sem sabermos o que queremos e sentimos da cidade e sobre a cidade, não é possível definir um modelo estruturado e coerente, nem de crescimento da dita, nem dos diferentes aglomerados urbanos do município que ultrapassam o próprio número de freguesias, se contabilizarmos de forma autónoma os bairros e curatos.

Estou certo que uma tomada de posição clara sobre este tema possa não ser, na perspetiva dos candidatos, de interesse eleitoral, pois pode ser bastante penalizador em termos de votos. Ainda assim, fica a pergunta: que papel terá a cidade no contexto do concelho?

Publicado na edição de hoje do Diário Insular.

Fotografia de Vitor Moura.

mitigação do downsizing

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Não sei o que seria da cidade da Praia da Vitória se não tivesse o privilégio de ter à frente do governo dos Açores um executivo que se preocupasse tanto com este município e propusesse para ele tantas soluções arrojadas e fora-da-caixa.

Não estou a ironizar. De facto, desde o anúncio esperado da partida dos norte-americanos, os projetos apresentados têm sido muitos e variados tendo sempre como pano de fundo a importância geoestratégica comercial do porto da Praia e do aeroporto das Lajes. Desta forma, o governo tem demonstrado visão, iniciativa e reconhecimento público das potencialidades da ilha Terceira.

Uma plataforma logística no porto da Praia, um HUB Atlântico internacional no porto da Praia, um terminal de abastecimento de gás natural a navios… no porto da Praia, um cais de Cruzeiros… no porto da Praia, uma zona económica especial… no porto da Praia ou uma ligação aérea direta entre a Terceira e o Porto – não da Praia mas do norte de Portugal – no aeroporto das Lajes.

A “mitigação do downsizing” (em bom politiquês para dar aquele ar de pseudo-entendido em questões de política internacional e que sabe tudo sobre a base dos americanos) fica resolvida. Com estas propostas, nós, praienses, podemos voltar a respirar de alívio. As sementes estão lançadas, agora é só esperar que germinem e que deem frutos. Não podemos é ter pressas. Estas questões são complexas e levam tempo a serem implementadas e a darem resultados. É preciso termos calma, paciência, e, por exemplo, não corrermos o risco de criar uma ligação SATA entre a Terceira e o Porto e depois termos que acabar com ela porque uma companhia privada, que não receberá – digo eu – um único cêntimo de dinheiros públicos, será tudo do seu bolso, nos está a tirar os clientes e a encher os seus aviões. Seria irresponsável. E que jeito dariam aqueles aviões vazios para ir prestar serviço público para outras partes do mundo. A nossa companhia!

Mal posso esperar pela nova dinâmica que, logo logo, terá a baía da Praia. O aumento significativo de novas empresas, maioritariamente tecnológicas, a descida acentuada do desemprego, a aproximar-se do pleno emprego com todas as medidas já implementadas e com a reconversão dos ativos atualmente inscritos no centro de emprego. Com os projetos apresentados pelo governo regional, a Praia sairá rapidamente deste estado de crise profunda em que se encontra só atenuada pelo aumento significativo do turismo que, não só por estes dias, mas sobretudo por estes dias, enche os hotéis e o alojamento local e funciona como o balão de oxigénio desejado.

A “rua de Jesus” da imprensa escrita vai tirar umas férias.

Da próxima terça-feira a dois meses realizam-se as eleições autárquicas. Até à hora em que este artigo é escrito só é conhecido o projeto de um dos candidatos à Câmara da Praia. Certamente, durante esta paragem estival, serão dadas a conhecer as propostas das restantes candidaturas, bem como a composição das respetivas equipas.

Espero, que quando em setembro regressar, os projetos do governo regional para a Praia já tenham saído da esfera virtual e tenham começado a materializar-se. No entretanto, deixemos a discussão da política com os candidatos autárquicos.

No outono voltaremos a ver-nos. Boas férias e venham à Praia. Não há festas como estas!

Artigo publicado na edição de hoje do Diário Insular.

A imagem foi retirada da página da Câmara Municipal da Praia da Vitória.

 

avenida marginal

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Mais ligeiros ou mais enferrujados, elegantes ou com algumas gordurinhas – poucas – localizadas, vestidos de fato de licra fluorescente ou calção lasso conservador, a marginal da Praia, por volta das oito e meia da noite, transforma-se num arraial de tourada na areia no que à quantidade de transeuntes diz respeito.

Preocupados com a sua saúde e a sua aparência física, os praienses aderiram com entusiasmo a este novo espaço da cidade já calcorreado até pela própria Rosa Mota que, numa manhã de agosto, o inaugurou e amadrinhou.

Bicicletas, esses veículos não poluentes e tão em voga pelas estradas da nossa ilha, poucas, pelo menos a essa hora. A verdade é que, apesar da pista e beleza inigualável do circuito, os acessos da ciclovia à marginal propriamente dita (onde há circulação automóvel) não é o melhor. Não tem rampa. Faz-se através de um degrau. Ou melhor, sai-se da ciclovia por uma pequena rampa e desemboca-se num degrau. Tudo em contínuo. Não são raras as quedas. A rever este detalhe por parte de quem tem competência para tal.

O passeio marginal está cheio. As esplanadas, também. Aliás, em contraste com o que se tem passado no areal onde não se têm observado muitos banhistas. De cada vez que passo junto às nossas zonas balneares urbanas, uma mais-valia da nossa cidade só comparável à praia artificial sobranceira à cidade património, pergunto-me a mim mesmo o que será feito daquelas pessoas que habitualmente enxameavam o nosso extenso areal. Para onde terá ido toda aquela gente?

Terão todos assumido a consciência de que o Sol do meio-dia e da tarde é perigoso? Terão todos construído piscina em casa? Estarão a viajar pelos muitos festivais de verão que acontecem um pouco por todo o arquipélago? Não encontro resposta. A verdade é que as praias, este ano, não têm tido a enchente de outros tempos. A não ser, hipótese minha apoiada em notícias publicadas na imprensa escrita local, que estejam com medo das balas da Segunda Guerra Mundial enterradas na areia ou das alegadas bombas e demais material nuclear perdido algures no oceano. Repito, hipótese baseada em notícias publicadas na imprensa escrita local, habitualmente através de fonte anónima ou de alegados especialistas em tudo quanto seja militar, bota-abaixo e americanos.

As esplanadas estão cheias. Não só de turistas, mas de muitos locais que só saem de casa quando o tempo aquece esquecendo-se que cafés, bares e restaurantes também funcionam de inverno e que nas estações frias também os seus proprietários têm que pagar ordenados, rendas, água e luz, sob pena de, no verão seguinte, já não existirem esplanadas onde nos possamos refastelar, exibir as pernas brancas ou os óculos-de-sol comprados para o estilo.

Percebe-se que as festas já estão à porta. A iluminação de Natal já está montada e os constrangimentos no trânsito também começaram.

Para terminar, repito a sugestão aqui deixada num artigo anterior:

“o que acham da ideia de, nos fins-de-semana à tarde, durante o verão, fechar ao trânsito o troço em frente aos bares permitindo, assim, dar maior espaço às esplanadas, possibilitar maior circulação de pessoas e fazer uma maior ligação destes bares e restaurantes ao areal? Não é nenhuma novidade, eu sei. E por não o ser e por se saber que resulta, fica aqui a sugestão.”

Aproveitem o Sol e as longas tardes…

bastilha e testes de paternidade

marie antoinette

Liberdade, igualdade e fraternidade são os ideais da Revolução Francesa que rapidamente foram apropriados pelos movimentos republicanos e que, lentamente, se disseminaram pelo mundo abrindo portas para uma nova ordem mundial mais livre e menos cinzenta.

Desses ideais, destaca-se um que nas últimas décadas tem vindo a ganhar terreno aos restantes, podendo mesmo assumir-se como um movimento religioso com regras bem definidas e alicerçado em pactos de sangue que não raras vezes são precedidos de cirúrgicas transfusões sanguíneas e ações catequéticas eficazes que passam por uma lavagem ao cérebro e à criação de uma dependência, ou a promessa de uma, da qual dificilmente o incauto catecúmeno se liberta. A fraternidade. Como é bonito o amor entre irmãos.

Amanhã é 14 de julho, o dia Nacional de França em que se comemoram os 228 anos da tomada da Bastilha e da libertação dos presos políticos opositores ao Antigo Regime. Os ecos dessa Revolução que ocorreu na longínqua Paris tiveram, décadas depois, reflexo na pacata vida quotidiana da então Villa da Praya que, a 11 de agosto de 1829, foi palco de uma batalha entre irmãos quebrando o vínculo fraterno existente entre Pedro e Miguel levando, anos mais tarde, ao exílio deste.

Amanhã, 14 de julho de 2017, Tibério Dinis, candidato socialista à presidência da Câmara Municipal da Praia da Vitória, faz a apresentação oficial da sua candidatura. Penso que seja só uma coincidência do calendário. Escolheu como pano de fundo a rua de Jesus. Esta coluna de opinião não poderia sentir-se mais lisonjeada. Esperemos, contudo, pelo seu programa e pelas propostas e soluções que o próprio e o Partido Socialista têm a anunciar para o concelho. Os desafios são muitos. E para cada um deles pede-se uma resposta. Não me canso de dizer que a questão demográfica é o maior problema do concelho e que o combate à desertificação e à baixa natalidade é o maior desafio dos próximos elencos camarários. Não é algo que se resolva de um dia para o outro nem tem resultados imediatos e, talvez por isso, não seja uma prioridade. Mas deverá sê-lo. Bem sei que o nosso concelho não é o que está em pior situação, pelo menos no contexto regional, mas também sei que sem gente não chegamos a lado nenhum. Precisamos de soluções para se fixarem pessoas. Podem e devem ser soluções “fora da caixa”, mas realistas e exequíveis. É urgente que se implementem medidas para a revitalização económica do concelho e esqueçam a base das Lajes. Puff.. já foi! Não vale a pena insistir numa utopia que o tempo e as decisões dos outros já levaram, o que não invalida que deveremos tudo fazer para sermos recompensados por todos os estragos e prejuízos causados, sem esquecer que o Governo da República tem aqui um papel determinante, independentemente do partido ou partidos que nos governam a partir de Lisboa. De nada adianta prometerem-se mundos e fundos quando a decisão final nem sequer está nas nossas mãos. De nada adianta andarmos a atirar foguetes para o ar com anúncios de grandes obras, mesmo que importantes e necessárias, quando o nosso papel se resume a dar ideias sem que tenhamos qualquer poder decisório. É pura masturbação. Quanto à paternidade das ditas ideias, deixem-se de tretas e concentrem-se no essencial, o concelho da Praia. E se mais do que um candidato defende o mesmo projeto, tanto melhor, unam esforço e concretizem-no.

Aguardemos então pela tarde de amanhã. Uma coisa será certa, a rua de Jesus, pelo menos durante umas horas, terá gente…

Este texto foi publicado na edição de hoje do Diário Insular e a imagem é do filme Marie Antoinette de Sofia Coppola.

nem sim… nem não…

porto da praia

O Porto Oceânico da Praia da Vitória, construído nos finais dos anos 80 do século passado no extremo sul da baía da cidade que lhe dá nome, é um exemplo de uma infraestrutura de grande dimensão que teima em não ver aproveitadas todas as suas potencialidades.

Com uma reconhecida localização geoestratégica em termos regionais e internacionais e com grande capacidade de crescimento em terra, o Porto da Praia poderia ser, no presente, aquilo que não é, mas com capacidade, no futuro, para ser o que a nossa ambição tenha a ousadia de sonhar. Tem faltado coragem.

Vivemos momentos de grande apreensão e incerteza. Um período da história da nossa ilha em que medidas de exceção são urgentes e necessárias. Medidas que não visem exclusivamente a solução de problemas de natureza conjuntural e do imediato, mas medidas de natureza estrutural que tenham a capacidade de alavancar a nossa economia para o futuro a médio e longo prazo com capacidade de criarem emprego sustentável, atrair investimento, aumentar as exportações e promover e dinamizar a economia local e regional.

Algumas entidades terceirenses têm-se debruçado sobre o tema e tornadas públicas as suas preocupações e soluções encontradas. Entre elas, destaco a Câmara do Comércio de Angra do Heroísmo, o Município da Praia da Vitória e o Conselho de Ilha da Terceira. Sugeriram alternativas e apresentaram soluções. Apostam na criação de medidas de forte impacto estrutural e de efeitos duradouros na economia. Ousam pensar “out of the box” e estão disponíveis para correr riscos.

De todas as soluções apontadas por estas entidades existe uma que lhes é comum: a dinamização comercial da infraestrutura portuária localizada na Praia da Vitória como uma das principais saídas da crise económica que a ilha atravessa. Todos sabemos que para a tornar rentável, competitiva e atrativa serão necessários investimentos avultados difíceis de se concretizarem sem ajuda externa. Contudo, existem soluções. Essas entidades também são unânimes neste ponto: a concessão da exploração do porto a privados.

Esta solução permitiria, entre outras coisas, a sua dinamização, a captação de investimento externo potenciando o aumento das exportações ou a criação de emprego para além de permitir, ainda, ganhos de eficiência, maior competitividade, melhores preços, maior dinâmica de tráfego no Atlântico ou uma maior promoção do porto nos mercados internacionais.

Para tal, será necessário sermos ousados e corajosos. Será necessário libertarmo-nos de amarras e preconceitos e pensarmos, não para os próximos dias nem para as próximas eleições, mas para as próximas décadas e para as gerações que virão. Será necessário que não percamos mais esta oportunidade e todas as oportunidades que dela decorrem. É urgente que se proceda à realização de um concurso internacional para a sua exploração.

É urgente fazer desta causa, uma causa supra-partidária onde o “Nim” e a “Abstenção” estão proibidos. Uma causa que deve ser apoiada independentemente de quem a propõe ou de quem, na sombra, a boicote.

P.S. gostaria de registar a minha perplexidade face à reação negativa do candidato do PS à Câmara da Praia relativamente ao meu artigo de opinião, publicado na semana passada, uma vez que nesse artigo se elogiava o projeto Praia Links, a forma como está a ser promovido nos EUA, assim como a evolução, no meu entender positiva, no relacionamento com a Diáspora, dando um passo em frente, sem que em algum ponto se criticasse o trabalho efetuado anteriormente.

Este artigo foi publicado na edição de hoje no Diário Insular. A fotografia é de MM Bettencourt.

silicon bay

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Da comitiva que se deslocou aos Estados Unidos nas últimas semanas, faziam parte o
Presidente da Câmara e dois dos três Vereadores a tempo inteiro da Câmara Municipal
da Praia da Vitória. Faltou a Vice-Presidente. Alguém tinha que ficar atrás para abrir e
fechar a porta.
A aposta é forte e o executivo camarário, nesta reta final do mandato, tem que
mostrar aos munícipes que está verdadeiramente empenhado em retirar a Praia do
fundo do abismo onde a deixou e onde se encontra presentemente.
É louvável esta vontade, mas, infelizmente, faltam cerca de seis meses para que
Roberto Monteiro deixe a presidência da autarquia, não tendo tempo para levar a
cabo esta empreitada, nem tão pouco terá tempo para ver os frutos que, sabemos,
levam o seu tempo a maturar.
Estará Roberto Monteiro a preparar-se para daqui a a quatro anos regressar para a
colheita? Pura especulação da minha parte. Mas só assim se justificará todo este
empenho em fim de ciclo.
A promoção do concelho como polo atrativo de investimento foram, e bem,
apresentar-se aos Estados Unidos, ao coração das maiores empresas tecnológicas da
atualidade onde trabalham jovens lusodescendentes com ligações familiares aos
Açores e à Terceira.
Não sendo original, já outros o fizeram no passado recente, o Município da Praia da
Vitória passou a olhar o capital humano da chamada diáspora não só como elemento
de interesse etnográfico e de fonte de apoio financeiro para festas, mas como
potencial de investimento na economia local que gera emprego e cria riqueza, o que a
Praia verdadeiramente necessita.
Contudo, estou consciente de que eu próprio esteja a ser, com este artigo, mais um
veículo de propaganda. Mas quero acreditar na boa vontade de quem tem a
responsabilidade de gerir os destinos do concelho e que não quererá ficar para a
História como o homem que viu a Praia afundar-se e nada fez para a salvar. Não
bastam edifícios novos, nem placas com o nome inscrito, nem tão pouco ganhar
eleições com votações expressivas. É preciso fazer a diferença, a longo prazo, na vida
das pessoas e do concelho. A curto prazo tudo é aparentemente um sucesso, antes dos
verdadeiros resultados, muitas vezes maus, começarem a aparecer.
Se a incubadora de empresas Praia Links, a dar os primeiros passos, vier a revelar-se
um sucesso e tiver a capacidade de nos transformar numa espécie de Silicon Bay, não
da Terceira, não dos Açores, mas do Mundo, todos ficaremos a ganhar, principalmente
as gerações futuras para as quais devemos empenhar todos os nossos esforços.
Posso estar a ser ingénuo neste discurso e neste pensamento, principalmente depois
de conhecer os resultados de acordos com a PT para a criação do parque tecnológico,
com a Finlândia para o desenvolvimento de projetos agroalimentares, enfim, com um
sem número de instituições e organizações que acabaram por não dar em nada ou até
mesmo com a criação, em 2014, de um fundo de capital de risco do qual nunca mais se
ouviu falar.
O resultado, agora, espero que não, pode ser exatamente o mesmo. Mas não é por
isso que vou deixar de acreditar que existe um futuro para a minha cidade. Um futuro
que será certamente melhor e que poderá passar por iniciativas como esta.
Nesse futuro cabem projetos como este e como outros que tenho a certeza irão surgir
nos próximos meses e anos, tenham os responsáveis pelo nosso destino enquanto
comunidade a capacidade e o engenho de ouvir a sociedade, de estar do seu lado e
trabalhar em prol do nosso futuro coletivo e das próximas gerações.
artigo publicado na edição de hoje do Diário Insular.
a fotografia é de Carlos do Carmo.

esta rua

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Não é surpresa. Estranho seria não falar dela. Pouco faltava para as dez da manhã quando esta fotografia foi tirada.

Fui tomar a minha dose matinal de cafeína. Um hábito. Normalmente no Café Terezinha. Outro hábito. Já não é aquele ambiente de tertúlia e de má-língua de outros tempos, mas continuo a sentir-me um pouco em casa.

O café modernizou-se. Agora atrai clientela mais jovem. Os tempos são outros e os proprietários tiveram que se se adaptar a esta nova era. A crise não ajuda e abateu-se sobre a cidade da Praia da Vitória e teima em ir-se embora.

A crise também não será responsável por tudo. Não o é certamente. Muito menos aqui na Praia onde se tomaram decisões contraditórias entre si e em diversos locais em simultâneo. A cidade é pequena. A população não cresce.

Havendo pouco, repartindo dá pouco. E, por pouco, muitas vezes é preferível fechar. E a cidade vai morrendo…

Soluções!? É o que se quer. É o que se pede.

Tem-se falado muito sobre o trânsito na cidade e na rua de Jesus em particular. Abrir ou não abrir ao trânsito. Abrir parcial ou abrir permanente. Sempre gostei da ideia de cobrir a rua de Jesus. Não é barato. Mas devolvia à cidade o estatuto de polo de atração comercial da ilha. É um pensamento nostálgico, eu sei…

então és parvo!

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É frequente perguntarem-me porque digo estas coisas, porque escrevo o que penso e o que ganho com isto. Eu respondo que não ganho nada. “Então és parvo!” dizem-me.

Talvez seja… mas gosto de escrever e não quero ver o mundo passar-me ao lado e eu nada fazer para mudar o que não me cai no goto.

Se consigo mudar alguma coisa? Não sei. A maior parte das vezes não. Algumas, certamente que sim.

Quando algo não corre como eu gostaria, quero poder dizer que pelo menos tentei que fosse diferente. Não tenho aquele objetivo paternalista de dizer “Eu avisei…” Se o tiver que fazer, só prova que eu não tive a capacidade de influenciar como arrogantemente pensava.

E vive o mundo assim. Pejado dos que têm razão depois das coisas acontecerem. Dos que tinham – e tinham sempre – a solução milagrosa. Nada disseram. Nada fizeram.

“Então és parvo!”… digo eu agora.

três arquipélagos

Seriam três arquipélagos. Quase a Macaronésia. O Arquipélago do Joel Neto, o Arquipélago das Artes Contemporâneas da Ribeira Grande e o meu, um minúsculo arKipélago virtual que, enquanto durou, e no seu período áureo de quatro ou cinco anos, cumpriu a sua missão. Arquipélagos a mais. A minha realidade arquipelágica alterou-se profundamente e, hoje, o meu arKipélago deixou de fazer sentido. Principalmente agora que a minha atividade partidária está reduzida ao essencial. Decidi destruí-lo.