Roberto Monteiro… 12 anos depois

roberto monteiro

Quando há 12 anos Roberto Monteiro se tornou presidente da Câmara da Praia, estava longe de imaginar que o maior desafio do seu mandato seria a questão da redução da presença norte-americana nas Lajes e a descontaminação dos aquíferos.

Aliás, o primeiro mandato e grande parte do segundo foi direcionado para a obra que faz vista e para uma política de cariz populista que tinha por objetivo a conquista do voto fácil através da atribuição descontrolada de subsídios e apoios (quem não se lembra das sessões hollywoodescas de assinaturas de protocolos), da distribuição de cabazes de Natal sem outro critério que não o eleitoralista, dos passeios de idosos a outras ilhas dos Açores ou da abertura, a quase tudo e a quase todos, das portas das empresas municipais e demais satélites oferecendo dezenas de empregos sem concurso e nem sempre tendo o mérito e o currículo como critério principal. Ao menos, foram criados empregos na Praia.

Roberto Monteiro teve a inteligência para chamar para junto de si muita gente com fortes ligações ao PSD, inclusivamente de natureza familiar, quadros recentemente formados, e colocá-los em lugares chave da administração autárquica. Muitos deles, vieram a aparecer, mais tarde, em listas de candidatos aos mais diversos órgãos locais ou regionais e vieram a ocupar lugares importantes em várias áreas, incluindo o setor empresarial regional. Esta é, sem dúvida, a estratégia mais eficaz para garantir a permanência no poder. Ao mesmo tempo que se abre o partido, conquistam-se novas lealdades e alarga-se a base eleitoral. Resultado, mais duas vitórias consecutivas por larga margem e, ainda, a garantia de eleição do seu sucessor que, pelas notícias que têm vindo a público, está a fazer precisamente o contrário. Espero que não passem de rumores infundados. Seria um mau começo. Como jovem que é, de uma nova geração, espera-se que corte com aquilo que todos condenam na política e que mostre, desde o primeiro dia, que tem essa capacidade e nos leve a ter “confiança no futuro”…

O legado de Roberto Monteiro não será aquele que o próprio gostaria de ter deixado. O curso dos acontecimentos trocou-lhe as voltas. A crise financeira entrou de rompante pela praça Francisco Ornelas da Câmara como se fosse um furacão. A autarquia, endividada como estava, passou a não ter dinheiro para o que quer que fosse e obrigou-se, ela própria, a recorrer à ajuda externa proporcionada pelo governo da República. Em simultâneo, a economia do concelho cai a pique arrasada pelo terramoto com epicentro na Base que se torna, aliás, a grande causa do consulado de Roberto Monteiro. Foi a tempestade perfeita. Diga-se o que se disser, com coragem e alguns excessos que sempre acontecem, bateu-se por isso. Infelizmente para todos nós, não foi bem sucedido. Mas não foi só ele que falhou. Falhámos todos nós que preferimos muitas vezes assobiar para o lado e atirar as culpas para cima dos outros à espera que um alguém imaginário encontrasse a solução. Falhámos quando o nosso discurso foi mudando ao sabor das alterações no governo de Lisboa. Falhámos quando fizemos exigências aos governos de cor contrária e pactuámos com governos da mesma cor. Um clássico…

Doze anos depois a Praia está como o que está à vista e enfrenta desafios talvez só comparáveis com o do povoamento ou das suas duas caídas.

Desta “rua de Jesus” que consegue ter mais gente que a verdadeira, só posso desejar ao cidadão Roberto Monteiro as maiores felicidades pessoais e os maiores sucessos profissionais. A política, essa, é outra mundo e, neste contexto, é o que menos me interessa…

mitigação do downsizing

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Não sei o que seria da cidade da Praia da Vitória se não tivesse o privilégio de ter à frente do governo dos Açores um executivo que se preocupasse tanto com este município e propusesse para ele tantas soluções arrojadas e fora-da-caixa.

Não estou a ironizar. De facto, desde o anúncio esperado da partida dos norte-americanos, os projetos apresentados têm sido muitos e variados tendo sempre como pano de fundo a importância geoestratégica comercial do porto da Praia e do aeroporto das Lajes. Desta forma, o governo tem demonstrado visão, iniciativa e reconhecimento público das potencialidades da ilha Terceira.

Uma plataforma logística no porto da Praia, um HUB Atlântico internacional no porto da Praia, um terminal de abastecimento de gás natural a navios… no porto da Praia, um cais de Cruzeiros… no porto da Praia, uma zona económica especial… no porto da Praia ou uma ligação aérea direta entre a Terceira e o Porto – não da Praia mas do norte de Portugal – no aeroporto das Lajes.

A “mitigação do downsizing” (em bom politiquês para dar aquele ar de pseudo-entendido em questões de política internacional e que sabe tudo sobre a base dos americanos) fica resolvida. Com estas propostas, nós, praienses, podemos voltar a respirar de alívio. As sementes estão lançadas, agora é só esperar que germinem e que deem frutos. Não podemos é ter pressas. Estas questões são complexas e levam tempo a serem implementadas e a darem resultados. É preciso termos calma, paciência, e, por exemplo, não corrermos o risco de criar uma ligação SATA entre a Terceira e o Porto e depois termos que acabar com ela porque uma companhia privada, que não receberá – digo eu – um único cêntimo de dinheiros públicos, será tudo do seu bolso, nos está a tirar os clientes e a encher os seus aviões. Seria irresponsável. E que jeito dariam aqueles aviões vazios para ir prestar serviço público para outras partes do mundo. A nossa companhia!

Mal posso esperar pela nova dinâmica que, logo logo, terá a baía da Praia. O aumento significativo de novas empresas, maioritariamente tecnológicas, a descida acentuada do desemprego, a aproximar-se do pleno emprego com todas as medidas já implementadas e com a reconversão dos ativos atualmente inscritos no centro de emprego. Com os projetos apresentados pelo governo regional, a Praia sairá rapidamente deste estado de crise profunda em que se encontra só atenuada pelo aumento significativo do turismo que, não só por estes dias, mas sobretudo por estes dias, enche os hotéis e o alojamento local e funciona como o balão de oxigénio desejado.

A “rua de Jesus” da imprensa escrita vai tirar umas férias.

Da próxima terça-feira a dois meses realizam-se as eleições autárquicas. Até à hora em que este artigo é escrito só é conhecido o projeto de um dos candidatos à Câmara da Praia. Certamente, durante esta paragem estival, serão dadas a conhecer as propostas das restantes candidaturas, bem como a composição das respetivas equipas.

Espero, que quando em setembro regressar, os projetos do governo regional para a Praia já tenham saído da esfera virtual e tenham começado a materializar-se. No entretanto, deixemos a discussão da política com os candidatos autárquicos.

No outono voltaremos a ver-nos. Boas férias e venham à Praia. Não há festas como estas!

Artigo publicado na edição de hoje do Diário Insular.

A imagem foi retirada da página da Câmara Municipal da Praia da Vitória.

 

défice democrático

A propósito de défice democrático, deixo-vos uma apresentação proferida por Jorge Ramos, jornalista mexicano radicado nos Estados Unidos, em que ele defende, nesta conferência TED Talks, a necessidade dos jornalistas desafiarem o poder político, questionando-os, confrontando-os com as suas contradições e não se limitarem a serem eco ou, no extremo, veículos de propaganda. Claro está que isto se refere à realidade que atualmente se vive em terras de Tio Trump!

silicon bay

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Da comitiva que se deslocou aos Estados Unidos nas últimas semanas, faziam parte o
Presidente da Câmara e dois dos três Vereadores a tempo inteiro da Câmara Municipal
da Praia da Vitória. Faltou a Vice-Presidente. Alguém tinha que ficar atrás para abrir e
fechar a porta.
A aposta é forte e o executivo camarário, nesta reta final do mandato, tem que
mostrar aos munícipes que está verdadeiramente empenhado em retirar a Praia do
fundo do abismo onde a deixou e onde se encontra presentemente.
É louvável esta vontade, mas, infelizmente, faltam cerca de seis meses para que
Roberto Monteiro deixe a presidência da autarquia, não tendo tempo para levar a
cabo esta empreitada, nem tão pouco terá tempo para ver os frutos que, sabemos,
levam o seu tempo a maturar.
Estará Roberto Monteiro a preparar-se para daqui a a quatro anos regressar para a
colheita? Pura especulação da minha parte. Mas só assim se justificará todo este
empenho em fim de ciclo.
A promoção do concelho como polo atrativo de investimento foram, e bem,
apresentar-se aos Estados Unidos, ao coração das maiores empresas tecnológicas da
atualidade onde trabalham jovens lusodescendentes com ligações familiares aos
Açores e à Terceira.
Não sendo original, já outros o fizeram no passado recente, o Município da Praia da
Vitória passou a olhar o capital humano da chamada diáspora não só como elemento
de interesse etnográfico e de fonte de apoio financeiro para festas, mas como
potencial de investimento na economia local que gera emprego e cria riqueza, o que a
Praia verdadeiramente necessita.
Contudo, estou consciente de que eu próprio esteja a ser, com este artigo, mais um
veículo de propaganda. Mas quero acreditar na boa vontade de quem tem a
responsabilidade de gerir os destinos do concelho e que não quererá ficar para a
História como o homem que viu a Praia afundar-se e nada fez para a salvar. Não
bastam edifícios novos, nem placas com o nome inscrito, nem tão pouco ganhar
eleições com votações expressivas. É preciso fazer a diferença, a longo prazo, na vida
das pessoas e do concelho. A curto prazo tudo é aparentemente um sucesso, antes dos
verdadeiros resultados, muitas vezes maus, começarem a aparecer.
Se a incubadora de empresas Praia Links, a dar os primeiros passos, vier a revelar-se
um sucesso e tiver a capacidade de nos transformar numa espécie de Silicon Bay, não
da Terceira, não dos Açores, mas do Mundo, todos ficaremos a ganhar, principalmente
as gerações futuras para as quais devemos empenhar todos os nossos esforços.
Posso estar a ser ingénuo neste discurso e neste pensamento, principalmente depois
de conhecer os resultados de acordos com a PT para a criação do parque tecnológico,
com a Finlândia para o desenvolvimento de projetos agroalimentares, enfim, com um
sem número de instituições e organizações que acabaram por não dar em nada ou até
mesmo com a criação, em 2014, de um fundo de capital de risco do qual nunca mais se
ouviu falar.
O resultado, agora, espero que não, pode ser exatamente o mesmo. Mas não é por
isso que vou deixar de acreditar que existe um futuro para a minha cidade. Um futuro
que será certamente melhor e que poderá passar por iniciativas como esta.
Nesse futuro cabem projetos como este e como outros que tenho a certeza irão surgir
nos próximos meses e anos, tenham os responsáveis pelo nosso destino enquanto
comunidade a capacidade e o engenho de ouvir a sociedade, de estar do seu lado e
trabalhar em prol do nosso futuro coletivo e das próximas gerações.
artigo publicado na edição de hoje do Diário Insular.
a fotografia é de Carlos do Carmo.

então és parvo!

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É frequente perguntarem-me porque digo estas coisas, porque escrevo o que penso e o que ganho com isto. Eu respondo que não ganho nada. “Então és parvo!” dizem-me.

Talvez seja… mas gosto de escrever e não quero ver o mundo passar-me ao lado e eu nada fazer para mudar o que não me cai no goto.

Se consigo mudar alguma coisa? Não sei. A maior parte das vezes não. Algumas, certamente que sim.

Quando algo não corre como eu gostaria, quero poder dizer que pelo menos tentei que fosse diferente. Não tenho aquele objetivo paternalista de dizer “Eu avisei…” Se o tiver que fazer, só prova que eu não tive a capacidade de influenciar como arrogantemente pensava.

E vive o mundo assim. Pejado dos que têm razão depois das coisas acontecerem. Dos que tinham – e tinham sempre – a solução milagrosa. Nada disseram. Nada fizeram.

“Então és parvo!”… digo eu agora.

a minha intervenção

Apresento o vídeo da minha intervenção no Congresso do PSD Açores.

Foi com uma estranha serenidade que participei nos primeiros dias de trabalhos do XXII Congresso do PSD Açores.

A serenidade de quem nem estava para intervir nem lutava por quaisquer cargos, até porque, por questões profissionais, tinha que regressar à Terceira no sábado a seguir ao almoço.

Contudo, logo à chegada ao recinto do Congresso – em Rabo de Peixe – fui informado de qua a ordem de trabalhos havia sido alterada e a manhã de sábado seria dedicada a intervenções dos Delegados. Assim sendo, tendo possibilidade de falar, nunca conseguiria ficar calado. É uma dificuldade minha, eu sei…

Tinha que gizar uma intervenção.

Poderia optar por um improviso ou até mesmo um falso improviso, mas achei por bem fazer ao Congresso uma declaração previamente escrita. Algo simples, conciso e sem grandes floreados ou divagações. Para isso, o escrito é francamente melhor já que baliza a coisa…

Lá peguei na esferográfica e numas folhas de papel e, sentado no quarto do hotel antes de me deitar, escrevinhei umas linhas.

Este foi o resultado…

 

três arquipélagos

Seriam três arquipélagos. Quase a Macaronésia. O Arquipélago do Joel Neto, o Arquipélago das Artes Contemporâneas da Ribeira Grande e o meu, um minúsculo arKipélago virtual que, enquanto durou, e no seu período áureo de quatro ou cinco anos, cumpriu a sua missão. Arquipélagos a mais. A minha realidade arquipelágica alterou-se profundamente e, hoje, o meu arKipélago deixou de fazer sentido. Principalmente agora que a minha atividade partidária está reduzida ao essencial. Decidi destruí-lo.