espírito santo

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Foi há dois anos atrás que, sensivelmente por esta hora, esta fotografia foi tirada. Era o culminar de uma semana em que a fé, a interajuda e a partilha andaram de mãos dadas. Oito terços rezados, bezerros enfeitados e sacrificados, dádivas dos nossos convidados ao Senhor Espírito Santo, distribuição de carne pelas crianças da catequese, esmolas da mesa aos mais desfavorecidos da freguesia, muitas brindeiras de massa sovada, família de ambos os lados do Atlântico que nos visitava, amigos, muito convívio, o batismo do Jorge Aurélio.

Esta foi a forma mais reduzida que encontrei para resumir a semana em que as insígnias do Divino estiveram na nossa casa. Foi o pagamento de uma promessa com um desfecho triste. Mas promessa é promessa e tem que ser cumprida.

As sopas estavam excelentes. O cozido e a alcatra também. Para sobremesa quebrou-se a tradição. Em vez do tradicional arroz-doce, os convidados comeram do bolo do batizado. A família cristã crescia.

Passados dois anos, não me canso de agradecer. Obrigado a todos quantos tornaram a festa possível! Obrigado por contribuírem para que a minha promessa tenha sido paga na companhia da família e de muitos dos meus amigos!

sacrifício

Há dois anos atrás, neste modesto terreiro defronte da minha casa, pela segunda vez em cinco anos, procedeu-se ao sacrifício da carne. Apesar do dramatismo do momento, agora atenuado por os bezerros já não serem sacrificados à nossa frente, chamamos a este ritual “folia do bezerro” (a expressão é variável, mas o sentido é sempre o mesmo – festa).

Pode parecer estranho e até mesmo exótico aos olhos de quem vê de fora e desconhece o sentido desta festa, uma daquelas em que, mais do que assistir, é preciso vivenciar.

Pode parecer estranho e até mesmo “primitivo” ver animais enfeitados com fitas coloridas a percorrerem as principais ruas da vila, ao som da filarmónica e do bombar dos foguetes, arrastando atrás de si uma pequena multidão e trazendo às janelas e à berma da estrada os mais curiosos que apreciam, respeitam e reverenciam os animais.

Mas é assim que nós somos. É assim que vivenciamos a nossa fé no Espírito Santo. Para nós, sacrificar a carne para depois distribuir a quem mais necessita e a quem ainda não foi tocado pelo pecado que só a vida adulta concebe é momento de festejo e celebração.

Dois anos depois, quis o calendário que hoje fosse Sexta-feira Santa, o dia do Sacrifício Supremo. Coincidências… Acasos… ou Alguém a querer dizer-me alguma coisa…

Por muitos anos que viva – e espero serem muitos – este será um dos momentos inesquecíveis da minha história…