sol tórrido no norte da Terceira

MOINHO QUATRO RIBEIRAS

Regresso às Quatro Ribeiras. Pode parecer mentira, mas fazia tempo que não sentia aquele Sol tórrido que só existe nas Quatro Ribeiras pela manhã. O Sol, o silêncio e o murmurar da água a correr na ribeira. Apeteceu-me tirar férias permanentes ou, pelo menos, férias enquanto estiver bom tempo. Infelizmente, não é possível. O trabalho e o dever chamam… Devia voltar mais vezes à paróquia de Santa Beatriz. Todos devíamos passar por lá com maior frequência. Bem, não só passar, mas sobretudo, ficar.

capadócia

O Facebook recorda-me hoje os locais por onde andava há sete anos atrás quando ainda conseguia desfrutar de férias… Turquia. Capadócia.

Pela primeira vez, visitava um país com uma cultura completamente estranhas à minha, onde as pessoas andavam na rua vestidas de forma diferente e a comida, sempre acompanhada de iogurte natural, explodia em cor e aromas a especiarias sem que fosse muito diversificada.

Se a aridez e o exotismo das formações geológicas da paisagem têm uma beleza invulgar, a pobreza e a escassez de quase tudo, bem marcadas nas habitações e nas expressões dos poucos seres humanos que se atreviam a cruzar-se com os turistas de passagem, incomodam e constrangem.

A Capadócia fica perdida no tempo como se de um repositório de história se tratasse. Por ali se cruzam os caminhos que nos transportam do mundo árabe ao mundo cristão e que permitem a ligação entre as grandes civilizações do Médio Oriente e os Impérios da Europa.

Todos os povos que marcaram a cultura dita ocidental passaram por ali fazendo dos otomanos um povo especial entalado entre culturas. Hoje, mais de cem anos passados desde o desaire da Grande Guerra, os turcos, grandes e dominadores durante séculos, ainda procuram uma identidade. Muçulmanos sem serem árabes. Ocidentais sem serem europeus.

É uma busca constante. A busca de quem procura voltar a um passado perdido, mas irrecuperável. Curiosamente, em turco, laranja diz-se “portakal”.